Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

PJ Vulter - Just Read It

Aqui fala-se de tudo... Desde a actualidade, nos seus múltiplos aspectos, ao desenvolvimento de consciências; passando - claro está - pela divulgação dos meus romances. Tudo o que tem de fazer é Ler: Just Read It.

PJ Vulter - Just Read It

Aqui fala-se de tudo... Desde a actualidade, nos seus múltiplos aspectos, ao desenvolvimento de consciências; passando - claro está - pela divulgação dos meus romances. Tudo o que tem de fazer é Ler: Just Read It.

Working on

Novo Romance: A Noite em que Pairei sobre o Mar

Vozes de Burro...

22.05.20 | PJ Vulter

VozesBurro.jpg

Hoje não venho dizer muita coisa…

O 25 de Abril comemorou-se e, também, se celebrou o 1º de Maio. Mas não venho falar sobre o contexto em que estas datas foram celebradas, ou não; e, muito menos, opinar sobre como acho que os nossos governantes deveriam, ou não, ter feito perante este cenário de Pandemia…

O que me traz aqui é uma única palavra: liberdade.

A maioria das pessoas, hoje em dia, principalmente as que nasceram pós-revolução, não fazem a mínima ideia do que foi o Estado Novo em Portugal. Eu também não sei exatamente o que foi, porque, apesar de ter nascido antes da Revolução dos Cravos, felizmente não senti na pele o que foi a ditadura, era um bebé de colo nessa altura, e quando cresci já o fiz num mundo sem PIDE; contudo, sei o que nos relata quem a viveu e o que a História nos conta.

Não sei de quem será a culpa por termos as gerações mais novas tão desligadas do que se passava neste país há pouco mais de 46 anos. Talvez seja assim porque o sistema educativo não fez o seu trabalho; talvez seja assim, porque os pais e os avós não passaram o testemunho, uns, porque nunca se tinha tempo para outras coisas se não o estritamente essencial - e manter os miúdos felizes, não fossem eles não gostar deles – e os outros, possivelmente, porque não queriam lembrar tempos maus… Ou, então, puro desinteresse da rapaziada (raparigas e rapazes), porque num mundo que rebentava de estímulos consumistas não havia espaço para coisas de cariz mais intelectual…Não sei. E também não interessa. Não é isso que venho aqui fazer, distribuir culpas; mas é evidente que este desconhecimento da nossa História é uma constatação lamentável.

Dito isto, não é de estranhar, portanto, que se ouçam vozes que querem comparar o confinamento, o estado de emergência, a nossa rotina atual, aos idos tempos salazaristas. Fazem-no, porque nunca sentiram na pele o que é uma ditadura; porque, se soubessem do que falam, jamais fariam tamanha e abjeta comparação…

Nos tempos do Salazar, se nos mandassem estar em casa, ficávamos em casa e não protestávamos, porque se o fizéssemos, e o vizinho ouvisse, poderíamos ter a polícia a bater-nos à porta para nos levarem para a esquadra onde nos «ensinariam» a respeitar a pátria. Nos tempos do Estado Novo, se houvesse ordem para estar em casa e fossemos apanhados na rua, a polícia não nos perguntava o que fazíamos ali, nem nos mandava regressar a casa, eramos presos imediatamente e talvez tivéssemos de ser ensinados, de uma forma mais dura, a respeitar as leis. Nos tempos da ditadura, as ordens do estado eram para ser respeitadas, sob pena de pesado castigo, e ninguém discutia ou opinava sobre as mesmas, sob pena de prisão.

Mas hoje todos podemos dizer o que pensamos; podemos ir à rua, mesmo que isso se desaconselhe e a policia nos diga «Vá lá para casa, amigo!». Hoje pode-se ofender a classe política – toda – comparando-a a Salazar que não nos acontece nada… E isto é assim, porque ocorreu uma Revolução que transformou Portugal numa democracia…

Por isso, vamos lá ter atenção às alarvidades que se dizem, só porque não podem sair de casa e passear com os amigos, porque, nos tempos da velha senhora, havia gente que morria às mãos dos algozes da PIDE, depois de horas de tortura e, por vezes, só porque alguém que não gostava deles e mentira à PIDE com quantos tempos tinha…

Liberdade, senhoras e senhores, não é só sair de casa para onde se quer e quando se quer; liberdade é poder fazer isso, também, aos nossos pensamentos, dando-lhes asas; é cantarolar uma música qualquer sem ter medo que alguém nos ouça; é ler um livro que gostemos, num banco de jardim, sem receio que alguém nos veja ou o saiba; é dizer o que pensamos sem o pavor de que alguém nos denuncie…

Talvez isto faça confusão a muita dessa juventude e tenham dificuldade em entender o que eu quero dizer, porque, para muitos deles, a única coação que sentiram foi a económica; não terem tido acesso a coisas que gostariam por falta de recursos financeiros. E é possível – também - que muitos nunca tenham ouvido falar de PIDE…  Ficaram curiosos?

Perguntem e procurem informação… Talvez se descobrirem o que é o verdadeiro confinamento – físico e intelectual – descubram que – afinal – até vivem num país encantado.

Revendo

Os Deuses Esquecidos